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Famílias unipessoais vão sofrer com novas regras do Bolsa Família; Entenda

No dia 24 de março de 2025, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que altera as regras para a concessão do Bolsa Família a famílias unipessoais, ou seja, aquelas compostas por apenas uma pessoa.

A partir de agora, esses beneficiários precisarão passar por uma entrevista domiciliar ou atualizar seus dados no Cadastro Único (CadÚnico) para continuarem recebendo o auxílio.

A justificativa do governo é fortalecer a fiscalização e evitar fraudes, garantindo que o programa beneficie quem realmente precisa. No entanto, a mudança levanta preocupações sobre possíveis barreiras burocráticas que podem excluir pessoas vulneráveis do programa.

O que muda para as famílias unipessoais?

As novas regras trazem três mudanças principais para quem se declara como família unipessoal no Bolsa Família:

  1. Entrevista domiciliar obrigatória: Para confirmar que o beneficiário realmente mora sozinho, ele deverá passar por uma entrevista presencial feita por um agente do governo.
  2. Atualização cadastral: Quem já recebe o benefício precisará atualizar seus dados no CadÚnico para continuar no programa.
  3. Limite de beneficiários unipessoais: O governo estabelecerá um número máximo de pessoas que poderão receber o benefício nessa condição, embora esse limite ainda não tenha sido definido.

Pessoas indígenas, quilombolas e em situação de rua não precisarão passar pela entrevista para comprovar sua elegibilidade.

Qual o objetivo do governo?

O governo alega que o aumento no número de famílias unipessoais no Bolsa Família gerou preocupação, pois muitos beneficiários poderiam estar burlando as regras ao se registrarem como indivíduos independentes, mesmo morando com familiares. Dessa forma, os principais objetivos da mudança são:

  • Coibir fraudes: Identificar casos em que pessoas se registram separadamente para receber mais de um benefício por família.
  • Otimizar os recursos do programa: Direcionar melhor o orçamento para quem realmente está em situação de vulnerabilidade.
  • Aprimorar a fiscalização: Melhorar o controle sobre os beneficiários e garantir que o auxílio chegue a quem mais precisa.

Embora o governo sustente que a medida busca tornar o programa mais eficiente, críticos apontam que pode haver efeitos negativos para quem de fato mora sozinho e precisa do benefício.

Impactos para quem depende do Bolsa Família

A nova exigência pode gerar obstáculos para os beneficiários unipessoais, dificultando o acesso ao auxílio. Alguns dos principais impactos incluem:

  • Risco de exclusão de pessoas vulneráveis: Muitos idosos, trabalhadores informais, pessoas com deficiência ou que vivem de aluguel sem contrato formal podem ter dificuldades em comprovar que moram sozinhos. Caso não consigam atender aos novos critérios, podem perder o benefício.
  • Burocracia e demora no atendimento: A exigência da entrevista domiciliar pode sobrecarregar os órgãos responsáveis, resultando em filas e atrasos na concessão ou atualização dos benefícios. Em muitos municípios, a estrutura para fiscalizar presencialmente todos os beneficiários pode ser insuficiente.
  • Insegurança alimentar e dificuldades financeiras: Para muitos brasileiros, o Bolsa Família é a principal fonte de renda. Qualquer atraso ou dificuldade na manutenção do benefício pode levar a problemas graves, como falta de alimentos, dificuldade para pagar aluguel e aumento da vulnerabilidade social.

A reformulação do Bolsa Família é sempre um tema sensível, pois mexe diretamente com a vida de milhões de brasileiros. O desafio do governo será equilibrar a fiscalização do programa com a manutenção do acesso para aqueles que realmente precisam do benefício para sobreviver.

Nos próximos meses, as mudanças devem gerar debates intensos, e a sociedade precisará acompanhar de perto para garantir que a política social continue cumprindo seu papel de combate à pobreza.

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